Quem vai comprar a primeira coladeira de borda esbarra em três famílias de máquina, com preços que vão de menos de R$ 5 mil a mais de R$ 70 mil — e os anúncios chamam quase tudo de “coladeira”. Este guia separa as três (manual de bancada, portátil para peças curvas e automática), mostra o que cada uma entrega de verdade depois que a fita está colada e em que volume cada uma deixa de compensar.
Preços e especificações conferidos em 9 de outubro de 2026, nas páginas públicas das lojas e fabricantes citados. A Robooster vende só coladeiras automáticas; as manuais e portáteis que aparecem aqui são de outros fabricantes, não as vendemos e não ganhamos nada com elas — a comparação é para você escolher certo.
As três famílias, em uma frase cada
- Manual de bancada. A peça passa pela máquina, que derrete a cola, aplica e pressiona a fita. O destopo (cortar a sobra na ponta) é por alavanca; o refilo (rebaixar a sobra de fita nas duas faces) e o acabamento são feitos depois, à mão, com refiladora e lixa. Só peça reta.
- Portátil para curvas. A máquina é guiada sobre a peça — ou a peça sobre a máquina, numa mesinha — com um tanque pequeno de cola quente e rolo de pressão. É a única das três que encosta fita em porta curva, tampo arredondado ou lateral côncava. O refilo também fica para depois.
- Automática. A peça entra numa esteira e sai pronta: colagem, destopo, refilo (na de 5 grupos, raspagem) e polimento acontecem em sequência, sem ninguém pegar na peça. Só peça reta — e é por isso que até fábrica grande guarda uma portátil no canto.
Existe ainda o caminho sem máquina — fita pré-colada e ferro de passar. Serve para reparo e para a peça única; não é produção, porque a cola já vem na fita e a pressão é a da sua mão.
Lado a lado: o que cada uma faz e quanto custa hoje
| Manual de bancada | Portátil para curvas | Automática 4 grupos | Automática 5 grupos | |
|---|---|---|---|---|
| Exemplos conferidos | Baldan CB-80; Maksiwa CBC.E e CBC.MR; Verry New Small | Virutex PEB250 | Robooster WF-802 | Robooster DW-1800 e S2 |
| Preço de vitrine (09/10/2026) | R$ 4.849,90 a R$ 10.923,27 | importada; US$ 2.322 na loja oficial americana, sem preço de vitrine no Brasil | R$ 17.231,69 (R$ 15.508,52 no Pix) | R$ 31.838,34 (R$ 28.654,51 no Pix) · S2: R$ 75.000,00 (R$ 67.500,00 no Pix) |
| O que faz sozinha | cola e pressiona; destopo por alavanca | cola e pressiona em reta e curva | cola, destopa, refila e pule | cola, destopa, refila, raspa e pule |
| Avanço | 0 a 8 m/min (CB-80, CBC.MR); 5,5 m/min (CBC.E) | assistido, com controle eletrônico de velocidade | — | até 14 m/min (DW-1800); até 16 m/min (S2) |
| Fita | 0,45 a 1,0 mm (CB-80); 0,3 a 2 mm (Maksiwa) | PVC, ABS, melamínico, laminado e madeira | 0,5 a 2,5 mm | 0,4 a 3 mm (S2) |
| Peça curva | não | sim | não | não |
| Peso | 65 kg (CBC.E); 110 kg (CBC.MR) | leve, de mão | 170 kg | 800 kg (S2) |
Fontes dos preços de terceiros, para você conferir: Baldan CB-80 por R$ 8.640,00 no Pix na Madeiras Gasômetro; Maksiwa CBC.E por R$ 5.999,90 à vista na Madeiranit; Maksiwa CBC.MR Black Edition por R$ 10.923,27 no Pix na L2 Máquinas; Verry New Small por R$ 4.849,90 na Loja do Mecânico. As especificações da PEB250 são da página oficial da Virutex. Os preços das nossas máquinas são os das páginas de produto, com Pix à vista.
A manual: barata na entrada, cara na mão de obra
Uma manual de bancada custa um terço a metade de uma WF-802 e faz o essencial: cola bem. O que ela não faz é tudo o que vem depois — e é isso que o anúncio não mostra. Cada peça que sai dela ainda tem sobra de fita nas duas faces e nas duas pontas. Alguém vai passar a refiladora, acertar a quina com lixa ou raspador e tirar o fio de cola. Em três ou quatro peças por dia isso é um detalhe; em cinquenta, é um funcionário inteiro fazendo acabamento.
Há dois limites técnicos que valem conferir na ficha antes de fechar:
- Espessura da fita. A Baldan CB-80 aceita fita de 0,45 a 1,0 mm — ou seja, fita de 2 mm, a que dá quina de móvel planejado, fica fora. As Maksiwa vão de 0,3 a 2 mm.
- Tipo de cola. A ficha da CB-80 pede “cola hot melt de baixa temperatura (140 a 160 graus)”; a CBC.MR trabalha com granulado a 170-180 °C. Cola errada na máquina errada é a causa mais comum de fita soltando na primeira semana — explicamos a diferença entre EVA e PUR no guia de fita de borda e cola.
Para quem ela serve: oficina de um ou dois marceneiros, móvel sob medida com poucas peças por projeto, e principalmente quem hoje cola com ferro de passar e quer parar de ter fita soltando.
A portátil para curvas: a única que faz o que as outras não fazem
Aqui mora a confusão de nome. No Brasil, “coladeira portátil” quase sempre é uma manual compacta, com mesa — a Maksiwa CBC.E, de 65 kg, é vendida assim e cola em peça reta. A portátil de verdade é a máquina guiada à mão, como a Virutex PEB250: 830 W, tanque de cola pequeno, avanço assistido com controle eletrônico de velocidade, cola EVA ou PUR, e a frase que importa na ficha oficial: aplica em painéis “retos, curvos e com formas” — com um rolo auxiliar para curvas côncavas de raio fechado.
Ela não substitui a automática em peça reta — é mais lenta e também deixa o refilo para depois. Mas se o seu catálogo tem porta curva, nicho arredondado ou bancada com raio, não existe automática no mundo que faça isso. Fábrica grande tem as duas: a automática para as centenas de peças retas e a portátil para as poucas curvas.
A automática: o que muda não é a cola, é a peça sair pronta
Numa automática, a esteira leva a peça por estações em sequência — os “grupos”. Na WF-802, de 4 grupos, são colagem, destopo, refilo e polimento; ela trabalha fita de 0,5 a 2,5 mm em MDF de 10 a 50 mm, tem reservatório de 4 litros e aquece em 5 a 10 minutos. Na DW-1800 entra o quinto grupo, a raspagem, que elimina o degrau da fita de PVC grossa, com avanço de até 14 m/min. A S2 é a versão de indústria: 7,5 kW em 220 V monofásico, 16 m/min, fita até 3 mm, chapa até 60 mm e CLP com tela touch. O que separa 4 de 5 grupos está detalhado no comparativo de 4 ou 5 grupos, e a escolha entre as três no comparativo WF-802 × DW-1800 × S2.
A diferença para a manual não está na qualidade da cola — uma manual bem regulada cola tão firme quanto. Está em três coisas: a peça sai pronta, sem a etapa de acabamento; o acabamento é igual na peça 1 e na peça 300; e o metro linear por hora é de outra ordem de grandeza. A conta de quantos metros por dia uma automática faz está no post de produtividade.
A conta: em que volume cada uma deixa de compensar
Em vez de “depende do seu volume”, vamos aos números que já publicamos. No post sobre terceirizar ou comprar, com preços de outubro de 2026, o centro de serviço cobra de R$ 2,50 a R$ 3,60 por metro linear com a fita incluída, e o metro feito em casa sai por cerca de R$ 0,76 em fita, cola e energia. Essa margem de R$ 1,74 por metro paga uma WF-802 em 25 meses a 400 m/mês e em 7 meses a 1.500 m/mês.
- Até uns 400 m lineares por mês (umas 60 a 80 peças de armário), a automática não se paga só pela economia de insumo. É a zona da manual — ou de continuar terceirizando o reto e colar as curvas em casa.
- Entre 500 e 800 m/mês, a margem do metro começa a pagar a automática em prazo de financiamento. É aqui que a manual vira gargalo: o operador passa mais tempo refilando do que colando.
- Acima de 1.000 m/mês, a pergunta deixa de ser manual ou automática e passa a ser 4 ou 5 grupos.
Se vai comprar uma automática e está em dúvida se nova ou de segunda mão, o checklist da coladeira usada mostra o que testar com a máquina quente.
A parte que ninguém conta
- “Portátil” no anúncio brasileiro quase nunca significa curva. Se a sua necessidade é porta curva, procure na ficha a frase “peças curvas” ou “côncavas e convexas”. Se a ficha diz “somente peças retas”, como a da Maksiwa CBC.MR, ela é uma manual de bancada com outro nome.
- A manual não vem sozinha. Some ao preço uma refiladora manual, raspador, lixa e o tempo de uma pessoa. O preço de vitrine é o começo da conta, não o fim.
- A automática não faz curva. Nenhuma. Quem tem catálogo com curvas vai ter as duas máquinas ou terceirizar as curvas.
- Automática pede casa. Espaço para a chapa entrar e sair, tomada dimensionada, ar comprimido e aspiração — está tudo no guia de onde instalar a coladeira. Uma manual de 65 kg liga em qualquer bancada com 220 V.
- Nossas coladeiras estão sem estoque imediato. As três estão em regime de reserva com sinal de 20%, que garante o preço de hoje para a próxima remessa. Preferimos dizer isso aqui do que você descobrir no carrinho.
Veredito honesto
Oficina de um ou dois marceneiros, móvel sob medida, poucas dezenas de peças por mês: uma manual de bancada nacional, entre R$ 5 mil e R$ 11 mil, resolve e paga a si mesma só por tirar o ferro de passar da sua rotina. Confira espessura de fita e tipo de cola na ficha.
Catálogo com peças curvas: uma portátil de verdade, do tipo guiado à mão, é obrigatória — independentemente de ter ou não a automática.
Produção regular de móveis planejados, a partir de 500 a 800 m lineares por mês: automática. A WF-802, de 4 grupos, é a porta de entrada; a DW-1800 acrescenta a raspagem para quem trabalha fita grossa e acabamento de fábrica; a S2 é para quem já produz em escala e quer painel com CLP.
Se quiser conferir a sua conta de metros por mês com quem opera essas máquinas todos os dias, fale com a gente no WhatsApp (15) 99618-0066 ou veja a página das coladeiras de borda. Dizemos quando a manual é a resposta certa — mesmo não vendendo nenhuma.



